
Declaro-me, Senhores, um solitário rochedo de diamante num mar que poucos navegaram:
As vagas espumam de ira e fustigam - são chicotes loucos que sonham poder quebrar.
Os ventos aos silvos selvagens arranham como lâminas. Mas fogem em vergonha e desistem.
As intempéries trovejam-me pragas e eu grito-lhes de volta com o meu silêncio indiferente.
Das profundezas, criaturas abjectas tentam escalar-me e declarar-me seu domínio, mas escorregam e caem no abismo.
Inquebrável. É a única explicação. Pois cada vez que as tempestades valsam vãs, negras e festivas sobre mim, descubro com os últimos assobios humilhados do Bóreas vencido que ainda cá estou. E sempre estarei.
Leandro Alvor da Silveira
Sem comentários:
Enviar um comentário