The difference between a monkey and a man is that if you teach a monkey to write «não» as «ñ», he will learn it - you will explain to him «ñ» is faster do type than «não», so when the monkey talks about it to some other monkey, he does is it this way: «You can write ñ instead of não, because it is faster.» But let's suppose he was speaking to a man. Well the man would learn it and make immediate associations with words than endured «ã», words like «são», and so he would answer, «That's brilliant! You can also write «~s» then! That's great!» - But the monkey wouldn't realize what the man did, insofar as he would think of it, his thought worked on a different basis than men's did. Men reason logically, monkeys seem to relly on a «belief proccess way», they tend to «believe», they believe «in what they believe», so they really can't understand nor the reasons that lead them to believe what they do nor the reasons why they believe «belief» is itself a reliable and sufficient justification.
So the monkey would head tree, pondering very deeply, one would look at him and take him for an academic thinker, such confident poise and reflexion he fashionly exerted - he went on reading his monkey books, those he'd read a thousand times and kept dusted religiously, he read back the quotes on «philosopher monkey x»'s famous example «Não = ñ».
The monkey himself was working on this complex and important subject, «Não = ñ», so like any thoroughly concerned academic, his work consisted mainly on a colossal bibliography that presented any monkey reader with a data base sort of listing that filed any monkey that had wrote «não», «=», and «ñ» throughout the ages. Most of them didn't even intend on relating these three «atoms of God» together, but this monkey did, and that was his thesis, a list, built around the famous quote «Não=ñ». If this makes no sense to you and sounds rather preposterous, that is because you are not a monkey and you have a sense of humor. Monkeys can't read.
It would primarily seem that the monkey knew the reason for «Não=ñ», for he also said «ñ is faster than Não.» But the trick part is he held «ñ is faster than Não» not so much as a reason for «Não=ñ», but because he believed «ñ is faster than Não» to be the justification to «Não=ñ», just like he would believe any other reason whatsoever, had his «monkey philosopher x» in his monkey teatrice, presented him with the reason for «Não=ñ» to be: «He who asserts «Não=ñ» and presentes this sentence (that is being said right now) as a justification, is a dumb fuck.», he would've had presented this justification to his monkey friends, he would have held this justification to be true, he would even feel that calm relaxation that preceeds any good conclusion after a problem that took us weeks to solve.
So, presented with this new outrageous feat of philosophy, that «~s» may be to «São» as «ñ» is to «Ñão», he went on reading the thousand monkey books and found nothing. He questioned his monkey master, he too knew nothing of the sort because he too had never read any of it, which lead both of them to the conclusion that it was wrong. Usually, when a stupid idea is mistaken for a great idea, its beholders delve further into the nonsense that «the great idea» seems to corroborate, (men regard this phenomena, over condescendently perhaps, in that they're only monkeys, as the big science and contemporary academic and scientific development)
Was there really any point for the man talking back to that monkey? Well, the monkey gave the man a useful information (though the man was the only one who could proccess it) but it is rather pointless to try and teach a monkey, one can either cage him, stare at him whilst it being fed, feel all so superior to him, or one can make further use of the monkey, whilst allowing him to do what monkeys do: monkey around. One could gain the «argument of authority» that the «philosopher monkey x» enjoyed, and use it to provide the monkey with more informations, with which they'd monkey around - informations that would tell them «to respect oneself and the other monkeys», «to live in harmony with others and the environment» - This would make the monkeys behave properly, not that they fathomed the «meaning» of those famous and important passages on philosophical teatrices, but that they believed in them, and since that was suficcient for their beliefs and mottos, they would follow them.
How would they be useful? Do you know that monkeys are key elements on the trophic levels of any tropical ecosystem? Don't you find it useful to have tropical ecosystems? Then keep the monkeys. (Of course you can only keep them by learning to keep them) The difference between man and monkey seems to be the following then: Monkeys can believe that «Não=ñ», that «ñ is faster to type than Não» presenting no reasonable proccess in between (forgive us the pleonasm, it is just to emphasize the identity between belief and irrationality) monkeys stick fanaticaly to their beliefs and will die before subjecting their beliefs to candid criticism. Men can learn that «Não=ã», thus making immediate relations with other words that carry that same property, like «São» and the sort. Thoug that is the essential difference, men does so unaware of the proccess through which he does so, but that was until today.
Thank you.
domingo, 11 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
Um dia no Ensino Superior da capital de
«Newton escrevia muito quando pensava», dizia o professor com as mãos na barriga. Os alunos escreviam nos cadernos: Newton escrevia muito quando pensava, comentavam mais tarde em conversas sobre filosofia da ciência, «Newton escrevia muito quando pensava!», e assim assinalavam a sua presença na conversa filosófica, porque tinham dito algo. «A partir de 1679, começa a entregar-se ao grande problema da sua vida: a gravitação», e os alunos escreviam nos cadernos o que ouviam, mais tarde comentariam «Porque a partir de 79, começava já a entregar-se ao grande problema da sua vida», pausa retórica, «a gravitação.», e outros concordavam, «Sim, exactamente», entendiam-se todos muito bem.
«A terceira Lei de Kepler foi fundamental para a terceira lei de Newton», todos escreviam nos cadernos, ouviam todos o professor com muita atenção. «Agora peço que me perdoem mas vou fazer umas continhas», os alunos passavam as palmas das mãos pela testa e olhavam uns para os outros, o professor ria-se amigavelmente, «a matemática não é difícil», ria-se, ficava visivelmente entretido com a perspectiva de ir escrever umas contas no quadro para pessoas que não as saberiam ler; estes alunos viam a matemática como uma disciplina difícil e mitológica, se vissem um matemático olhariam-no com um misto de admiração e confusão e de suspeita e misticismo, fitariam especados o quadro, como lorpas que fartos de levar na tromba, se aproximavam da mão do amo quando este lhe pergunta se quer mais uma festinha.
O professor começava a escrever equações no quadro, «A força é proporcional à aceleração», ninguém percebia os símbolos que ele escrevia, «Talvez assim percebam», e escrevia orça à frente do F, e celeração à frente do a, e ouvia-se uma espécie de esclarecimento geral sob os alunos. «Professor, pode escrever os números maiores?», não existiam números, eram constantes, «Os símbolos?», ria-se, «Está bem», dizia com as narinas entupidas. Depois escrevia a terceira lei de Kepler, os filósofos mais velhos carregavam muito as sobrancelhas, espetando os nós dos dedos entre as narinas mergulhando o nariz na testa, fitavam as equações com grande compenetração, como quem olha para um conjunto de caracteres desconhecidos à espera de fazer com que os caracteres se sentissem desconfortáveis com os seus olhares perscrutadores e intrometidos, para que então se voltassem para trás, pedissem desculpa e revelassem o significado por detrás do estranho arranjo em que se dispunham.
Passavam as equações para o caderno, não se sabe com que propósito (alguns pretendiam abrir o caderno acidentalmente na página das equações e ao pé de outro colega, «Ha», sorveria de sobressalto, «a terceira lei de Newton, equações», o outro olhá-lo-ia receoso, como se fosse o lanche de meio-da-manhã e tivesse apenas uma carcaça esmagada e outro tivesse bolo, bolachas e sumo. «Pois», atrevia-se trepidante, «isso foi...», tentava ver se não teria uma fatia de salame escondida nalgum dos bolsos, «1665? A grande peste negra, foi por aí?», percebia pela cara de invertebrado do outro balão que ele não sabia nada acerca da peste negra e de Newton, o que era suficiente para que este concluísse que sim, que tinha sido em 1665. «Foi sim», dizia com bazófia, «Em 1665, a grande peste negra forçou as pessoas da cidade a refugiarem-se nas suas terras natal, foi então que Newton forjou o cálculo infiniti...», o trambolho engasgava-se, mas como pedante experiente que era, atropelava-se confiante, soltando por fim: «O cálculo infinitésiano.»
O outro olhava-a suspeito, não tinha nada a dizer, optou por concordar, assim teriam dito ambos algo que tivesse razão. O outro fez o mesmo, mais vale um pássaro na mão... Trocaram mais algumas ideias, acabando por se refastelar os dois numa conversa que rossava o tudo e o nada, enamorados das suas opiniões gerais mas «mordazes» acerca da sociedade, da econo... e era assim mesmo que eles terminavam as suas conversas, deixavam descer o tom e o volume das últimas palavras até estarem só a mexer os lábios e a língua, sem fazerem qualquer som, isto significava que a conversa tinha acabado. Depois despediam-se e iam-se embora.)
Dizíamos que os alunos passavam todos as equações para o caderno, sim, dizíamos que eles diziam todos que sim, porque o professor rematava sempre com «Está certo?», «É ou não é?», ninguém percebia nada, nem o professor percebia porque escrevia aquelas coisas no quadro, mas todos diziam que sim quando ouviam aquelas palavras obscuras e importantes, «pi», «quadrado», «binómio», «manipulações algébricas», quanto mais eram as palavras complicadas, mais o assunto se tornava complexo, apesar de não perceberem nada do assunto desde o princípio; mais tarde, os que não tinham ficado desmotivados com «as contas», virar-se-iam para os dados bibliográficos do filósofo natural, examinando-os com muita minúcia, para que também eles fossem homens de ciência, porque o filósofo é o tal homem de conhecimento completo, e há que saber falar de tudo, (mas apenas entre aqueles que não percebem dos assuntos de que eles querem saber falar).
O professor concluía a demonstração com «Está certo?», ia e vinha, «Dúvidas sobre isto?», ouviram-se uns soluços choramingas do fundo da sala. «Isto não sai para o exame», dizia, olhavam-no todos esbugalhados, se lhes furassem o crânio com uma agulha, verteria a massa amorfa que lhes inundava o espírito. Depois o professor recapitulava tudo o que tinha dito pelas mesmas palavras e em frases lacónicas de modo a que tudo se tornasse mais claro, tá certo?
«A terceira Lei de Kepler foi fundamental para a terceira lei de Newton», todos escreviam nos cadernos, ouviam todos o professor com muita atenção. «Agora peço que me perdoem mas vou fazer umas continhas», os alunos passavam as palmas das mãos pela testa e olhavam uns para os outros, o professor ria-se amigavelmente, «a matemática não é difícil», ria-se, ficava visivelmente entretido com a perspectiva de ir escrever umas contas no quadro para pessoas que não as saberiam ler; estes alunos viam a matemática como uma disciplina difícil e mitológica, se vissem um matemático olhariam-no com um misto de admiração e confusão e de suspeita e misticismo, fitariam especados o quadro, como lorpas que fartos de levar na tromba, se aproximavam da mão do amo quando este lhe pergunta se quer mais uma festinha.
O professor começava a escrever equações no quadro, «A força é proporcional à aceleração», ninguém percebia os símbolos que ele escrevia, «Talvez assim percebam», e escrevia orça à frente do F, e celeração à frente do a, e ouvia-se uma espécie de esclarecimento geral sob os alunos. «Professor, pode escrever os números maiores?», não existiam números, eram constantes, «Os símbolos?», ria-se, «Está bem», dizia com as narinas entupidas. Depois escrevia a terceira lei de Kepler, os filósofos mais velhos carregavam muito as sobrancelhas, espetando os nós dos dedos entre as narinas mergulhando o nariz na testa, fitavam as equações com grande compenetração, como quem olha para um conjunto de caracteres desconhecidos à espera de fazer com que os caracteres se sentissem desconfortáveis com os seus olhares perscrutadores e intrometidos, para que então se voltassem para trás, pedissem desculpa e revelassem o significado por detrás do estranho arranjo em que se dispunham.
Passavam as equações para o caderno, não se sabe com que propósito (alguns pretendiam abrir o caderno acidentalmente na página das equações e ao pé de outro colega, «Ha», sorveria de sobressalto, «a terceira lei de Newton, equações», o outro olhá-lo-ia receoso, como se fosse o lanche de meio-da-manhã e tivesse apenas uma carcaça esmagada e outro tivesse bolo, bolachas e sumo. «Pois», atrevia-se trepidante, «isso foi...», tentava ver se não teria uma fatia de salame escondida nalgum dos bolsos, «1665? A grande peste negra, foi por aí?», percebia pela cara de invertebrado do outro balão que ele não sabia nada acerca da peste negra e de Newton, o que era suficiente para que este concluísse que sim, que tinha sido em 1665. «Foi sim», dizia com bazófia, «Em 1665, a grande peste negra forçou as pessoas da cidade a refugiarem-se nas suas terras natal, foi então que Newton forjou o cálculo infiniti...», o trambolho engasgava-se, mas como pedante experiente que era, atropelava-se confiante, soltando por fim: «O cálculo infinitésiano.»
O outro olhava-a suspeito, não tinha nada a dizer, optou por concordar, assim teriam dito ambos algo que tivesse razão. O outro fez o mesmo, mais vale um pássaro na mão... Trocaram mais algumas ideias, acabando por se refastelar os dois numa conversa que rossava o tudo e o nada, enamorados das suas opiniões gerais mas «mordazes» acerca da sociedade, da econo... e era assim mesmo que eles terminavam as suas conversas, deixavam descer o tom e o volume das últimas palavras até estarem só a mexer os lábios e a língua, sem fazerem qualquer som, isto significava que a conversa tinha acabado. Depois despediam-se e iam-se embora.)
Dizíamos que os alunos passavam todos as equações para o caderno, sim, dizíamos que eles diziam todos que sim, porque o professor rematava sempre com «Está certo?», «É ou não é?», ninguém percebia nada, nem o professor percebia porque escrevia aquelas coisas no quadro, mas todos diziam que sim quando ouviam aquelas palavras obscuras e importantes, «pi», «quadrado», «binómio», «manipulações algébricas», quanto mais eram as palavras complicadas, mais o assunto se tornava complexo, apesar de não perceberem nada do assunto desde o princípio; mais tarde, os que não tinham ficado desmotivados com «as contas», virar-se-iam para os dados bibliográficos do filósofo natural, examinando-os com muita minúcia, para que também eles fossem homens de ciência, porque o filósofo é o tal homem de conhecimento completo, e há que saber falar de tudo, (mas apenas entre aqueles que não percebem dos assuntos de que eles querem saber falar).
O professor concluía a demonstração com «Está certo?», ia e vinha, «Dúvidas sobre isto?», ouviram-se uns soluços choramingas do fundo da sala. «Isto não sai para o exame», dizia, olhavam-no todos esbugalhados, se lhes furassem o crânio com uma agulha, verteria a massa amorfa que lhes inundava o espírito. Depois o professor recapitulava tudo o que tinha dito pelas mesmas palavras e em frases lacónicas de modo a que tudo se tornasse mais claro, tá certo?
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